Vigilância EpidemiológicaAgravos de Notificação Compulsória Raiva Humana

Agravos de Notificação Compulsória - Raiva Humana

A infecção, geralmente ocorre, quando a pessoa é exposta ao vírus da raiva excretado pelas glândulas salivares do animal infectado. O vírus é introduzido no organismo humano através de ferimentos com solução de continuidade da pele ou através das mucosas. A pele íntegra é uma barreira importante ao vírus da raiva, mas as mucosas são permeáveis, mesmo quando intactas.
O vírus da raiva é neurotrópico e depois de penetrar no organismo humano, pode atingir as terminações nervosas periféricas e iniciar a migração para o sistema nervoso central e só aí terão início às manifestações clínicas, quando são inúteis as medidas profiláticas. Desta forma a gravidade da exposição está ligada a possibilidade de que o vírus atinja as terminações nervosas periféricas, e o sucesso da profilaxia consiste em criar barreira para que tal fato não ocorra.

Classificação
Os ferimentos causados por animais podem ser classificados, de acordo com dois critérios:
a: Quanto à profundidade:
• Superficiais, quando atingem apenas a epiderme, com sangramento discreto ou ausente;
• Profundos, quando atingem as demais camadas, geralmente acompanhados de sangramento.
b: Quanto ao número e extensão:
• Único, quando ocorre uma única porta de entrada;
• Múltiplos, quando ocorre mais de uma lesão.

Exposições
As exposições podem ser classificadas como leves ou graves:
Graves - locais que têm maior concentração de terminações nervosas, facilitando a exposição do sistema nervoso ao vírus (cabeça, mãos, pés e mucosas, que mesmo íntegras permitem a exposição do tecido nervoso ao vírus)
• ferimentos profundos e/ou extensos e/ou múltiplos.
Leves - exposições em tronco e membros (exceto mãos e pés), decorrente de ferimentos superficiais causados por mordedura ou arranhadura.
Apenas os mamíferos são susceptíveis ao vírus da raiva e os únicos capazes de transmití-lo. No nosso meio, o cão é o responsável pelo maior número de casos de raiva humana e de exposição com risco.

Avaliação
Para avaliação do risco de transmissão do vírus da raiva:
No caso de cães e gatos é necessário considerar:
• Estado de saúde do animal no momento da exposição;

• Hábitos de vida e a condição sanitária do animal, ou seja, se têm vacinas, se é domiciliado ou fica parte do tempo nas ruas ou se são errantes;

• Possibilidade de observação do animal. Somente nos casos de agressão por cães e gatos, é possível observar o animal, uma vez que é conhecido o período de incubação e de transmissão do vírus da raiva. Sabe-se que a excreção do vírus pela saliva do animal, só ocorre a partir do final do período de incubação, entre dois e quatro dias do início dos sintomas e perdura até a morte do animal, que ocorre três e cinco dias após o início do quadro clínico. Desta forma cães e gatos clinicamente sadios, devem sempre ser observados durante 10 dias, a contar da data do acidente;

• Área geográfica de procedência do cão ou gato.
Existem áreas de raiva controlada, ou seja não tem casos registrados de raiva animal, comprovada através de uma Vigilância Sanitária e Epidemiológica adequada.
Existem áreas de raiva não controlada, ou seja , existem casos de raiva animal registradas ou são áreas que não fazem uma Vigilância Sanitária e Epidemiológica adequada.

No caso de outros mamíferos:
• Animais de alto risco - Morcego de qualquer espécie e quando ocorrer qualquer contato entre o animal e o homem. Quando o morcego é encontrado em ambientes com pessoas dormindo, crianças, pessoas portadoras deficiência ou qualquer situação em que é impossível afastar com certeza o contato com o animal, a profilaxia deverá ser indicada.
Mamíferos silvestres também são considerados de alto risco.
• Animais de médio risco - Além dos cães e gatos, outros como os bovídeos, eqüideos, caprinos, suínos e ovinos.

• Animais de baixo risco - Ratos, cobaias, hamsters e demais roedores urbanos e coelhos. Somente em áreas epizoóticas quando o animal atacar de forma incomum, justifica-se o tratamento profilático contra a raiva.
Profilaxia da Raiva Humana
O esquema de tratamento profilático da raiva humana é realizado nas Unidades de Saúde da Secretaria Municipal da Saúde, sob a orientação da Divisão de Vigilância Epidemiológica, onde as condutas seguem as orientações do Manual Técnico do Instituto Pasteur.
Vacinas: No Estado de São Paulo são usadas vacinas purificadas produzidas em cultura de células Vero, que são vacinas bem toleradas e as reações neurológicas temporalmente associadas a esta vacina é baixa.

Soro Anti-rábico e Imunoglobulina Humana Anti-rábica
A ação primária destes produtos ocorre no local de inoculação do vírus. Os níveis de anticorpos obtidos após a administração por via intramuscular não são adequados para inativar os vírus nos locais do ferimento, por isso devem ser infiltrados no local da lesão.

Cuidados com o Ferimento:
É imprescindível à limpeza do ferimento com água corrente abundante e sabão, o mais rápido possível e também a utilização de anti-sépticos que inativem o vírus da raiva, como PVPI (polvidine tópico) e álcool iodado.
A sutura pode ser realizada, quando houver risco de comprometimento funcional, estético ou de infecções. Nestes casos o soro anti-rábico deve ser aplicado uma hora antes da sutura.

É Necessário Avaliar a Profilaxia do Tétano.

Fonte: Manual Técnico do Instituto Pasteur – 1999 / Profilaxia de Raiva Humana
Situação do agravo no município: No ano de 2007 foram notificados 102 casos de atendimento anti-rábico pelas U.S.F., nas mais variadas formas. A Vigilância em Saúde realiza freqüentemente Campanha de Posse Responsável, principalmente nos bairros aonde a notificação de agressões de cães é mais freqüente. Esta campanha é muito importante no sentido de sensibilizar a população a se responsabilizar pelos seus animais, principalmente mantendo-os dentro de seus pátios, evitando além de acidentes, que estes tragam agravos da rua para o ambiente familiar.

SAIBA MAIS:
NORMA TECNICA DE TRATAMENTO PROFILÁTICO ANTI-RÁBICO HUMANO
Ficha de Notificação Atendimento Anti-rábico
Ficha de Notificação Raiva Humana